quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Sozinho no paraíso – 033

Como já te disse, não sou difícil. Serei, talvez, inseguro. Terei porventura medo de me sentir usado. De que as pessoas se aproximem, só por causa de um ou dois factores, e depois de os utilizarem, me deixem ali sozinho na beira do rio. Perdido novamente. É fácil dizer agora, que poderia ser o “tal”, e que os meses intermináveis de namoro poderiam ser comigo, ao invés do outro. Isso é fácil de dizer. De escrever ou até de brincar. Mas ambos sabemos, que isso são aquelas coisas que se dizem, apenas para justificar o desinteresse. A falta de pontos em comum, que são necessários para se construir alguma coisa. O motivo, de certeza, não foi a minha “dificuldade”. Ao Invés, poderá ter sido, a tua facilidade em observar as hipóteses.

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Busca no paraíso - 031

Ele sentiu o abandono a fechar a porta. Sentiu a leve brisa da indiferença, a despedir-se coercivamente do cenário. Os olhos, esses espelhos da alma, queriam ficar húmidos de saudades. De mágoas presentes, mas já passadas. Ele percebia-se anestesiado naquela situação. Naquela peça teatral, que quis terminar, antes de todos os actos. Frustrado, não cabia em si. Julgava-se sonhador, de um pesadelo demasiado mau, para se inscrever naquela definição. E apenas… E ele apenas queria perceber o motivo. Os motivos. Dos armários vazios, da cama desfeita e do bilhete. De um bocado de papel, que gravava: “não consegui”.


[Banda Sonora, aqui! ]
[Personagem,
aqui! ]

A caminho do purgatório – 021

Forcei-me a escrever. Mesmo sabendo que vai sair um punhado de nada. De coisas banais, sem sentido, apenas com o intuito de desenhar frases elaboradas e um “post” amargurado. Estou apenas a passar o tempo, na esperança de fechar os olhos e dormir. E apenas acordar para ir ao ginásio, trabalhar, voltar para casa, arrumar a roupa (porque não consigo arrumar a vida), jantar e anular novamente o tempo. Querendo adiantar o relógio... para que possa voltar a fechar os olhos. Para que no dia seguinte, fotocopie tudo o que já fiz. Para que mecanicamente viva para o fim dos meses. Para que apenas me torne um sujeito factual, mas de pormenores mortos e dispensáveis. Quero que se arrastem anos. Para que tudo passe mais depressa. Assim, como numa montanha-russa enorme, que provoca emoções de velocidade e que queremos sempre repetir, na eterna esperança de sentir as mesmas coisas.

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Crise no Paraíso - Clique(s)

O clique? Mas afinal o que é o clique? O que é sentir o tal clique?

“clique
(inglês click)
s. m.
1. Leve ruído, seco e claro. = ESTALIDO
2. Fonét. Som consonântico oclusivo semelhante a um estalido, existente em algumas línguas bantas e em línguas como o bosquímano ou o hotentote.
3. Inform. Acto! ou efeito de clicar.

clicar - Conjugar
(inglês to click)
v. tr.
1. Inform. Pressionar um dos botões do rato ou do teclado.
2. Inform. Escolher uma opção ou desencadear uma acção! através de um botão ou de uma tecla real ou virtual.
v. intr.
3. Fazer um clique ou um estalido.”


In Priberam, Dicionário de Língua Portuguesa


Tanta merda para isto?

domingo, 24 de Janeiro de 2010

Fragmentos do paraíso - 018

"Jónatas, meu irmão, amei-te mais
do que à mais amável donzela."


Rei David, II Livro de Samuel, 1,26

(Obrigado pela leitura.)

sábado, 23 de Janeiro de 2010

Emergir sobre o Paraíso – 017

Estou demasiado cansado, para pensar seja no que for. Mas é bom assim. Não tenho que tomar nenhuma decisão importante ou vinculativa. E no fundo… é como escrevi aqui algures: “o papel a desempenhar, cabe a cada um escolher”.

quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Conclusões do Paraíso – 024

Como é que sei, que estou a ficar velho? Fácil. Estive a conduzir a ouvir músicas dos anos setenta, que serviram de banda sonora a um filme... com uma “puta” de dor na lombar, ao mesmo tempo que pensava, que amanhã teria que me deitar cedo, se quisesse sair Sábado à noite.

Conclusões do Paraíso – 023

Prefiro morrer catalogado de estúpido, impulsivo e dramático, do que morrer sufocado com palavras, mágoas ou presunções.

Conclusões do Paraíso – 022

Acho que no fundo, tenho pena que as pessoas não me percebam. Ou melhor, que eu não consiga passar a mensagem. Que me julguem bruto, quando sou frágil. Que me caracterizem como indiferente, quando de facto me preocupo. Que me incutam dramatismo, quando apenas quero expressar o que sinto. Tenho dificuldade em explicar. Em dizer. Em mostrar afectos. Parece estúpido, eu sei. Mas as desculpas formuladas a uma amiga em Paris (após uma discussão sem sentido), o reencontro já vivido e o facto de não conseguir mostrar, que quero mais do que sexo, deixa-me vulnerável. Deixa-me assim, saudosista de uma vida pintada a pastel, que se esborrata a cada passagem de dedos indecisos. De dedos cegos. De dedos trémulos, que transmitem problemas reais.

quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

A caminho do purgatório – 020

Porque têm que ser sempre os mesmos, a provar? A demonstrar que [1 + 1 = 2], e que [Y multiplicado por 0 é 0]? Estou farto de ser sempre o vendedor da “banha da cobra” ou o publicitário, que tenta vender um produto, que ninguém quer adquirir.
Não seria mais justo, nestas coisas das relações, dividir a responsabilidade em partes iguais? Existir uma conquista mútua? Sim, já sei. É como a treta dos príncipes encantados e dos contos de fadas. Não existe.
Então qual é o propósito, de sermos animais sociais? De conseguirmos ser mais felizes, se partilharmos algo? Obter amizades e render amores? Para quê? Para quê o esforço se é sempre o mesmo a fazê-lo? Se tem que ser sempre o mesmo a avançar? A dar o passo um, o passo dois, o passo três? Sempre ouvir dizer, que para dançar o tango são precisos dois. Talvez tenha que mudar de música e agitar-me ao som de qualquer coisa como “chicapum”, “chicapum”, “chicapum”. De preferência bastante “pastilhado”. Pode ser que a coisa passe a ser melhor. Ou pelo menos, que seja indolor.

terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Conclusões do Paraíso – 021

Se eu fosse um príncipe encantado?

Tinha um palácio. Um cavalo branco. Uma espada. Uma capa. Era giro. Jeitoso. Grosso. De peitorais fortes e braços resistentes. Era alto. De olhos expressivos e cabelos suaves. Andava sempre bem-disposto e sorridente. Sabia beijar de todos os modos. Sabia provocar o desejo de todas as maneiras. Era o melhor amante do mundo. E fazíamos sexo. Fazíamos amor. Em todo o lado. Em todo o sítio. A qualquer hora. A toda a hora. Abraçava-te dormindo e sonhava contigo. Nunca te deixava e serias sempre a prioridade. Lutava contra as injustiças e defendia os fracos. Saía em dias de chuva intensa, para te trazer flores. Confortava-te com chá e mel, sussurrando ao ouvido os “amo-te” em todas as línguas que conheço. Construía-te diques e represas, que conseguissem reter águas cristalinas, para te banhares. Para te contemplares. Nunca iria levantar-te a voz, nem proferir nomes feios. Questionava frequentemente todos os poetas do mundo, sobre o amor. Sobre ti. Mandava desenhar textos com a tua cara. Com os nossos sentimentos. Com a nossa vida.

Mas o problema, é que não sou príncipe. Nem encantado. Nem perfeito.

Busca no paraíso - 030

Vou dormir. Ou chorar. Ou pensar. Ou talvez tudo junto. Não sei ainda.

segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Crise no Paraíso - Amor III

Busco conforto, naquelas palavras que trocámos hoje. Nas diferenças que apontaste, demonstrando inequivocamente, que seremos sempre diferentes. Eu, electrizante, possuidor de uma liberdade sem par, nunca irei deixar-me agarrar ao teu mundo, singular, tranquilo, vagaroso e desenhado para ser viver infinitamente em murmúrio.
Concordei. Acabou. Desde vinte quatro de Outubro, que assim é. Então se sei, se aceito, se concordo contigo, porque teima o meu peito em remoer as entranhas? Porque teima o meu estômago em provocar sensações estranhas? Sensações corpóreas, mas que não têm razão física para acontecer? E se assim é, se é assim que tem de ser, porque é que continua o cérebro a projectar-me imagens tuas, nossas, passadas no verão, em esplanadas na Costa? Em que sentados em “puffs” riamos e gozávamos a companhia um do outro? Em que as nossas pernas se roçavam, querendo esconder o que nos unia? Porque é que isto está a acontecer agora? Porquê? Mas porquê?

Crise no Paraíso - Amor II

Se voltava? Sim, voltava.

Crise no Paraíso - Amor I

É incrível como um reencontro pode provocar um desmoronamento sentimental. Como é possível obter hoje, um arrependimento por ter terminado um relacionamento há quatro meses atrás? É normal ter saudades das nossas discussões? Das nossas noites de cafés? Dos nossos beijos perdidos, no meu carro, num sítio obscuro encontrado por ti? É possível? É normal?
Sinto-me a arder por dentro. A consumir-me com “se’s”. Se tivesse lutado. Se não quisesse acabar. Se conhecesse a tua família. Se de facto, deixasse de querer estar em todo o lado, com toda a gente. Se mudasse. Se dissesse que eras uma pessoa especial para mim. Se mandasse sms’s todos os dias a dizer-te que te amava.
Não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Não sei o que se passa comigo. Talvez para os estudiosos da mente, esteja com problemas graves do foro psicológico. Talvez os escribas dos sentimentos, me comparem com o romantismo secular. Mas a verdade, é que tenho vontade de correr. De conduzir até à tua casa e esperar que saias. Que repares que ali estou. Que voltei. Que sinto a tua falta. E que me fazes chorar.

sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

Busca no paraíso - 029

Dizem que o primeiro beijo marca. Que transforma a pessoa. Que talvez forneça a fronteira entre a inocência e a clarividência. Será por isso um acontecimento digno de registo. De perpetuação cronológica inultrapassável. Não sei. Hoje lembrei-me disto. Desta ideia mítica que o primeiro tem que ser especial, romântico e com a pessoa certa. Mas este beijo, que se quer perpétuo é apenas um encostar de lábios ou exige um bailado de línguas? Quer-se imaculado ou terrivelmente pornográfico?
Não sei. Gostaria imenso de pertencer a essa larga maioria que se lembra do primeiro beijo. Do primeiro arranhar de lábios, que marcará a evolução para situações mais elaboradas. Esqueci-me do meu primeiro beijo sem língua. Não me recordo do meu primeiro beijo com língua. Posso apenas atiçar datas, nomes e lugares. Mas sem certezas. Sem lembranças justificadoras. Porque não vale a pena. Porque não quero memórias. Porque um beijo é único. Porque um beijo será sempre o primeiro. Mesmo que seja repetido inúmeras vezes.

segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

Conclusões do Paraíso – 020

A imagem gravada é a do cão. Daquele animal, que tenta a aproximação e é sempre corrido a pontapé. Carimbado com palavras injuriosas. Aquele ser, que tenta mostrar afecto e ganhar amarras de solidariedade e é constantemente ignorado. Maltratado. Humilhado. Tanto que é, tantas e tantas vezes, que ganha medo. Ganha receio de novas aproximações. E foge. Sempre. Sempre que alguém se abeira, ou se diz diferente. Ou que se interessa. Ou simplesmente, que pretende provocar interesse.
Mas aquele ser, aquele animal, aquele cão, calejado pela porrada que levou, pelos insultos que sofreu, pelas desilusões que permitiu… foge. Foge com medo. Com medo que lhe voltem a fazer o mesmo. O mesmo, que sempre o magoou.